Reforma Tributária e gestão empresarial, por que o ERP será ainda mais importante nos próximos anos

Reforma Tributária e gestão empresarial, por que o ERP será ainda mais importante nos próximos anos

A Reforma Tributária do consumo está promovendo uma das maiores mudanças já realizadas
no sistema tributário brasileiro. Para as empresas, a transição vai muito além da substituição
de alguns impostos: exige a revisão de cadastros, documentos fiscais, cálculos, formação de
preços, aproveitamento de créditos e integração entre setores.
Nos frigoríficos, onde a operação reúne compra de animais, produção, estoque, vendas,
transporte e obrigações sanitárias, essa adaptação tende a ser ainda mais desafiadora. Nesse

cenário, o ERP deixa de ser apenas uma ferramenta de controle e passa a ocupar uma posição
fundamental na continuidade e na segurança da operação.

O que muda com a Reforma Tributária?

O novo modelo de tributação sobre o consumo é baseado no chamado IVA Dual, formado por
dois tributos:

● CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal;
● IBS — Imposto sobre Bens e Serviços, administrado por estados e municípios.

Também foi criado o Imposto Seletivo, destinado a produtos e serviços considerados
prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

Ao longo da transição, a CBS e o IBS substituirão gradualmente o PIS, a Cofins, o ICMS e o ISS. A
implementação começou em 2026 e está prevista para ser concluída em 2033 — o que significa
que, durante alguns anos, as empresas precisarão conviver com as regras do sistema atual e do
novo modelo ao mesmo tempo.

A mudança vai além do departamento fiscal

É comum imaginar que a Reforma seja responsabilidade exclusiva da contabilidade. Na prática,
seus efeitos alcançam praticamente toda a empresa: cadastros de produtos, clientes e
fornecedores, classificação fiscal, emissão de notas, apuração de tributos, formação de preços,
margens, contratos, planejamento financeiro e fluxo de caixa.

Uma informação incorreta no cadastro de um produto, por exemplo, pode comprometer o
cálculo tributário, a emissão do documento fiscal, a precificação e a apuração dos resultados.
Por isso, a preparação precisa envolver os setores fiscal, contábil, financeiro, comercial,
compras, tecnologia e gestão.

Por que o ERP ganha ainda mais importância?

O ERP é o sistema que conecta as informações produzidas nas diferentes áreas da empresa.
Com a Reforma, essa integração se torna ainda mais relevante. O sistema precisará estar
preparado para:

● registrar a CBS e o IBS;
● operar durante a coexistência dos dois modelos tributários;
● receber novas regras e atualizações legais;
● gerar documentos fiscais com os novos campos;
● organizar créditos tributários;
● integrar os dados fiscais, financeiros e contábeis.

Em 2026 começou a fase de testes do IBS e da CBS, e os documentos fiscais eletrônicos já
passaram a ser adaptados para destacar os novos tributos. A adequação dos sistemas,
portanto, já faz parte da rotina das empresas e não deve ser deixada para os últimos anos da
transição.

A qualidade dos cadastros será decisiva

Um sistema atualizado não produz resultados corretos com informações incompletas ou
desatualizadas. Por isso, uma das etapas mais importantes é o saneamento dos cadastros:
NCM, descrição e classificação das mercadorias, unidades de medida, dados de clientes e
fornecedores, regimes tributários e natureza das operações.

No frigorífico, essa atenção precisa alcançar matérias-primas, produtos acabados, subprodutos,
embalagens e insumos. Uma classificação inadequada pode afetar o cálculo dos tributos e o
aproveitamento dos créditos.

Impacto nos preços, nas margens e nos créditos

A tributação no destino, o cálculo dos novos tributos e as regras de crédito podem alterar o
custo efetivo das operações. Isso exige revisar preços de compra e venda, custos de produção,
margens por produto, cliente e região, além de contratos e custos logísticos.

Em um frigorífico, pequenas variações podem gerar impactos importantes devido ao volume
movimentado. Sem um sistema integrado, a empresa pode continuar vendendo com base em
cálculos antigos e só perceber a queda de rentabilidade no fechamento financeiro. O ERP
permite simular cenários e acompanhar os efeitos tributários na formação dos preços.

O novo modelo também amplia a lógica de não cumulatividade, permitindo o uso de créditos
sobre determinadas aquisições. Para aproveitá-los corretamente, será preciso manter
informações consistentes sobre compras, documentos fiscais, fornecedores e pagamentos — e
o ERP é a ferramenta que relaciona todos esses dados na apuração.

Integração com as plataformas do governo

A Receita Federal vem desenvolvendo uma plataforma nacional com apuração assistida, gestão
de créditos e integrações por API, além de já ter disponibilizado uma calculadora oficial da
Reforma Tributária. Os sistemas empresariais precisarão se comunicar cada vez mais com os
ambientes oficiais — e um ERP preparado poderá automatizar consultas, validações e envio de
informações, reduzindo o trabalho manual.

Os riscos de um sistema desatualizado

Um ERP que não acompanha as mudanças pode provocar emissão incorreta de documentos
fiscais, cálculo inadequado de tributos, perda de créditos, erros na formação de preços,
redução de margens, retrabalho, dificuldades em fiscalizações e até interrupções na operação.
Durante a transição, o risco é ainda maior, já que a empresa administrará regras antigas e novas
simultaneamente.

Como os frigoríficos podem se preparar?

1. Mapear as operações — identificar todos os tipos de compras, vendas, transferências,
devoluções e industrializações.
2. Revisar os cadastros — conferir e padronizar produtos, fornecedores, clientes, NCMs e
regras fiscais.
3. Atualizar o ERP — receber as versões, parametrizações e campos necessários para a
CBS e o IBS.
4. Testar os processos — validar emissão, cálculo, integração e contabilização antes de
usar as novas regras em toda a operação.
5. Capacitar as equipes — preparar os profissionais das áreas fiscal, financeira, comercial,
compras e tecnologia.
6. Acompanhar as regulamentações — a Reforma ainda passa por atualizações
operacionais que exigem monitoramento contínuo.

O ERP como ferramenta estratégica

Nos próximos anos, o ERP será essencial não apenas para calcular tributos, mas para ajudar a
empresa a compreender o impacto das mudanças sobre seus resultados. Com informações
confiáveis, os gestores podem responder perguntas como: quais produtos continuam

rentáveis? Quais créditos estão sendo aproveitados? Os preços precisam ser revistos? Qual
será o impacto no fluxo de caixa?

A tecnologia transforma a adequação tributária em uma oportunidade para melhorar a gestão
e a qualidade das decisões.

A Datavale está ao lado dos frigoríficos nessa transição

Para os frigoríficos, contar com um ERP especializado será fundamental para adaptar as regras
fiscais sem perder o controle da operação. O sistema Datavale integra compra de animais,
produção, estoque, vendas, financeiro, fiscal e contabilidade, respeitando as particularidades
do setor.

Mais do que atender às mudanças legais, o objetivo é oferecer segurança para que a empresa
continue operando, faturando e decidindo com base em informações confiáveis.

A Reforma Tributária já começou. Preparar os processos e o sistema desde agora é a melhor
maneira de reduzir riscos e conduzir essa transição com mais organização.

Fonte: Datavale