Rastreabilidade individual de bovinos, como os frigoríficos devem preparar seus sistemas para essa nova realidade

Rastreabilidade individual de bovinos, como os frigoríficos devem preparar seus sistemas para essa nova realidade

A rastreabilidade está ganhando uma nova dimensão na cadeia produtiva da carne bovina brasileira.

Até então, grande parte do controle sanitário e da movimentação dos animais no Brasil é realizada por lotes. Com o avanço do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, o setor caminha para um modelo no qual cada animal poderá ser acompanhado por meio de uma identificação única ao longo de sua trajetória.

Para os frigoríficos, essa mudança representa mais do que a adoção de uma nova forma de identificação. Ela exige sistemas preparados para receber, validar, integrar e armazenar um volume maior de informações sem comprometer a produtividade da operação.

O frigorífico que começar a organizar seus processos e sua estrutura tecnológica desde agora estará mais preparado para atender às exigências sanitárias, comerciais e operacionais que devem ganhar força nos próximos anos.

O que é a rastreabilidade individual de bovinos?

A rastreabilidade é a capacidade de acompanhar a origem, a movimentação e o histórico de um animal ou de um produto ao longo da cadeia produtiva.

No modelo de identificação individual, cada bovino ou búfalo recebe um código único. Esse código permite relacionar informações como:

●     propriedade de origem;

●     nascimento ou ingresso no sistema;

●     movimentações entre propriedades;

●     informações sanitárias;

●     vacinação;

●     destino;

●     entrada no estabelecimento frigorífico;

●     data e condições do abate.

Diferentemente da rastreabilidade por lote, na qual vários animais são acompanhados como um grupo, a identificação individual oferece uma visão mais detalhada da trajetória de cada animal.

O Ministério da Agricultura e Pecuária desenvolveu o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos com o objetivo de fortalecer a rastreabilidade da cadeia de carne e leite no Brasil. A implantação estratégica está prevista para ocorrer entre 2025 e 2032.

Por que esse assunto está ganhando importância?

A identificação individual está diretamente relacionada à sanidade animal, à segurança dos alimentos e à capacidade de responder rapidamente diante de uma ocorrência sanitária.

Quando existe uma informação individualizada e confiável, torna-se mais fácil identificar a origem de um problema, localizar animais relacionados a determinada ocorrência e agir de maneira mais precisa.

A rastreabilidade também possui relevância comercial. Alguns mercados internacionais já exigem a identificação individual dos animais utilizados na produção de carne bovina exportada.

O SISBOV, sistema oficial mantido pelo Ministério da Agricultura, reúne informações necessárias para a certificação brasileira destinada a países que exigem a rastreabilidade individual de bovinos e búfalos.

Esse movimento demonstra que a rastreabilidade não deve ser vista apenas como uma obrigação sanitária. Ela também pode ampliar a transparência da cadeia, fortalecer a confiança dos compradores e contribuir para o acesso a mercados mais exigentes.

O que muda para os frigoríficos?

Na prática, os frigoríficos passam a lidar com um nível maior de detalhamento das informações recebidas.

Além de controlar a procedência e o lote, será necessário garantir que a identificação individual acompanhe corretamente o animal nas etapas em que essa informação for exigida.

Esse controle pode envolver:

●     conferência da identificação na recepção;

●     validação dos documentos relacionados à carga;

●     associação entre animal, fornecedor e propriedade de origem;

●     organização dos animais nos currais;

●     definição e acompanhamento dos lotes de abate;

●     vinculação entre a identificação recebida e a produção;

●     segregação de animais ou carcaças quando necessário;

●     armazenamento do histórico para consultas, auditorias e fiscalizações.

Os estabelecimentos de abate já possuem responsabilidades relacionadas ao registro da procedência, à programação dos lotes, à inspeção ante mortem e à autorização para o abate. Com a ampliação da identificação individual, a precisão e a integração desses dados tornam-se ainda mais importantes.

A rastreabilidade começa muito antes da tecnologia

A rastreabilidade individual de bovinos representa uma evolução importante para toda a cadeia produtiva da carne. Mais do que atender a novas exigências sanitárias e comerciais, ela exige que frigoríficos revisem seus processos, organizem suas informações e contem com sistemas capazes de acompanhar esse novo nível de controle.

Quem iniciar essa preparação desde agora estará mais preparado para enfrentar os desafios da implantação e transformar a rastreabilidade em uma vantagem competitiva.

Na Datavale, acompanhamos de perto as transformações do setor frigorífico e desenvolvemos soluções que evoluem junto com as necessidades do mercado. Acreditamos que tecnologia, processos bem estruturados e informação de qualidade são fundamentais para uma operação mais segura, eficiente e preparada para os desafios da rastreabilidade.

Este é o primeiro artigo de uma série especial da Datavale sobre rastreabilidade individual de bovinos. Nos próximos conteúdos, vamos explorar os principais desafios da implantação desse modelo, os riscos dos controles manuais, a importância de um ERP especializado e como a tecnologia pode apoiar a conformidade, a rastreabilidade e a gestão dos frigoríficos.

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Fonte: Datavale